Na maioria das vezes, o disco diamantado perde o corte porque a borda vitrificou: o calor e a pressão fazem a liga metálica cobrir os grãos de diamante, e o disco passa a "patinar". Em geral, dá para recuperar o corte desempastando a borda com alguns cortes em material abrasivo, como tijolo, bloco de concreto ou pedra de afiar própria. Se a borda estiver baixa ou danificada, o disco chegou ao fim.
Como o disco diamantado corta
A borda de um disco diamantado é feita de grãos de diamante presos em uma liga metálica. Durante o corte, os grãos da superfície desgastam o material e, aos poucos, se desgastam também. A liga deve se desgastar junto, na medida certa, liberando novos grãos. Esse equilíbrio é o que mantém o disco cortando do começo ao fim da vida útil.
Quando o equilíbrio se perde, um de dois problemas aparece: a liga se desgasta rápido demais e o disco acaba cedo, ou a liga não se desgasta e os diamantes ficam cobertos. O segundo caso é a vitrificação.
Sinais de que o disco vitrificou
- O corte fica lento, mesmo com a borda ainda alta.
- A máquina força e o disco esquenta mais que o normal.
- Aparecem faíscas ou cheiro de queimado durante o corte.
- A borda fica lisa e brilhante, quase polida, em vez de áspera.
Se a borda estiver com altura normal e esses sinais aparecerem, o problema quase sempre é vitrificação, não fim de vida útil.
Um teste simples ajuda: passe o dedo na borda com o disco parado e frio. A borda saudável é áspera ao toque; a vitrificada parece lisa.
Por que acontece
As causas mais comuns são pressão excessiva, falta de refrigeração em discos que trabalham com água e uso do disco em material mais mole ou menos abrasivo do que aquele para o qual ele foi indicado. Cortar material muito duro com disco de liga dura também favorece o problema, porque a liga não se desgasta o suficiente para expor novos grãos.
Rotação acima do limite gravado no disco agrava tudo: além de aquecer a borda, é um risco de segurança.
Como desempastar o disco
- Desligue e espere o disco esfriar. Nunca tente recuperar a borda com o disco quente.
- Escolha um material abrasivo. Tijolo cerâmico, bloco de concreto ou uma pedra de afiar própria para disco diamantado funcionam bem.
- Faça alguns cortes curtos. Com a máquina na rotação normal, faça de três a cinco cortes rasos. O material abrasivo desgasta a liga que cobria os diamantes.
- Teste no material de trabalho. Se o disco voltou a cortar com facilidade, a borda foi recuperada. Se não, repita uma vez.
Use óculos, protetor auricular e proteção respiratória durante todo o processo, como orienta a Norma Regulamentadora nº 6 para trabalhos com risco de projeção e poeira.
Quando o disco realmente chegou ao fim
Troque o disco se a borda diamantada estiver quase no nível do núcleo, se houver segmento trincado, solto ou faltando, se o núcleo estiver empenado ou se o disco trepidar mesmo em máquina alinhada. Nesses casos, insistir é perigoso: um segmento que se solta em alta rotação vira projétil.
A liga do disco e o material cortado
A liga metálica que prende os diamantes pode ser mais dura ou mais mole, e isso é escolhido pelo fabricante de acordo com o material a que o disco se destina. A regra geral é inversa ao que muita gente imagina: materiais duros e pouco abrasivos, como porcelanato e granito, pedem liga mais mole, que se desgasta o suficiente para liberar diamantes novos. Materiais abrasivos, como concreto fresco e alguns tipos de bloco, pedem liga mais dura, para o disco não se desgastar rápido demais.
É por isso que usar o disco no material errado provoca os dois problemas. No material mais duro que o previsto, a liga não se abre e o disco vitrifica. No material mais abrasivo, a liga some rápido e a borda acaba antes da hora. A indicação impressa no disco resume essa escolha.
Desgaste irregular: outro sinal de uso errado
Às vezes o disco não vitrifica, mas se desgasta de um lado só, fica com a borda em forma de cone ou perde altura em alguns pontos. Isso costuma indicar corte torto, disco trabalhando de lado, flange suja ou eixo com folga. Nesses casos, o problema está na máquina ou no jeito de conduzir o corte, e trocar o disco sem corrigir a causa só repete o prejuízo.
Quanto tempo dura um disco diamantado
Não existe um número fixo. A vida útil depende do material cortado, da espessura das peças, da forma de uso, da refrigeração e da máquina. O mesmo disco pode durar muito mais em uma equipe que respeita o ritmo do corte do que em outra que força a máquina. Por isso, a comparação mais útil é interna: acompanhe quanto cada modelo rende no seu tipo de serviço e use essa referência na hora de repor.
Anotar a data de montagem de cada disco e o tipo de material cortado ajuda a perceber quando o rendimento cai fora do normal, o que costuma indicar erro de uso, e não defeito.
Como evitar que o problema volte
- Use o disco com a indicação certa para o material. Para porcelanato, veja o artigo qual disco usar para cortar porcelanato.
- Deixe o disco trabalhar: pressão demais não acelera o corte, só aquece a borda.
- Mantenha a água ligada nos discos que trabalham molhados, como os de bancada.
- Respeite a seta de rotação e a rotação máxima gravadas.
- Conheça o formato da borda que você usa. As diferenças estão em disco turbo, segmentado ou contínuo.
Na serra mármore, onde o mesmo disco costuma cortar materiais variados, a vitrificação é ainda mais comum. Ter no estoque modelos separados por material, como os da linha Shark para serra mármore, reduz o problema.
Onde encontrarNa linha de discos de serra Shark para granito há modelos para granito, nanoglass e ultracompacto, cada um com a indicação gravada. Os produtos chegam ao profissional pelas lojas e distribuidores; se você é um deles, peça a tabela de atacado. Veja os modelos em discos de serra para granito.
Pedir tabela no WhatsApp